terça-feira, 14 de março de 2017

Ruína À Beira Danúbio

Um dia conto-te a ruína que fui visitando outras ruínas,
Também servi de cozinha a turcos em tempo de guerra hormonal
E sosseguei éguas no templo decadente dos meus dentes tortos,
Cada beijo de bala, perdida ou só para gastar juventude,
Plantar suspiros na lareira da velhice, partir tudo antes da partida,
Ainda estão por disfarçar entre as rugas que os anos pintam de orgulho
E ilusão de sabedoria, nem imaginas o que ocupou o que agora silêncio
Em escuros e vazios quartos, mas um dia conto-te, quando fores relva
Onde turistas bebem e fodem descansados sobre ossos esquecidos
De impérios vencidos, houver Sol que não se vista
Com sabor a cobre e enxofre e o horizonte te seja limpo
Como um que nunca vi em Agosto no meu berço de silvas,
Entretanto afogo-te em promessas vazias que todos os sonhos alimentam
E deixo que te engulam no futuro que também é dos que nascem.

10.03.2017

Budapeste


João Bosco da Silva

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